Domingo. O sol despontava forte, vigoroso e luminoso lá fora. Cá dentro Fabrício preparava o almoço. Ele mesmo quisera ir à cozinha. Disse que queria colocar a “mão na massa” – literalmente, já que fez um macarrão na manteiga com manjericão. Fabrício terminou de fazer o almoço, tomou um banho revigorante e sentou-se à mesa. Mesa essa que ele arrumou brilhantemente. Tudo isso ao som de Elis Regina – sua cantora favorita. Abriu uma garrafa de vinho. Sozinho, ele almoçava. Mas não parecia. Aquela sala, aquela casa estava cheia de amor, de poesia. Final da tarde. Fabrício acabara de ler um livrinho de Mafalda. Começou então a assistir um filme sobre amizade. Seu telefone toca no meio do filme. Para ele, uma ofensa. Porém, tudo muda quando do outro lado da linha é seu amor que está no Rio de Janeiro terminando o mestrado. Rodrigo pergunta como foi o dia de Fabrício. Ao relatar coisas simples, corriqueiras do seu domingo. Rodrigo começa a chorar. Fabrício não entende nada. Pergunta o que foi. Preocupa-se. Levanta do sofá. Passa a mão na testa. Indaga de novo. Rodrigo responde: “Meu amor, é disso que sinto falta. Sinto falta de você. Sinto falta de ver o amor em tudo o que você faz. Sinto falta de perceber seu amor, seu cuidado nas coisas mais banais. Sabe por quê? Porque você tem esse dom de ser amor onde a gente só enxerga escuridão. Obrigado por você ser esse amor que me ilumina e me torna melhor. Mesmo estando distante de ti. Eu te amo”. Fabrício sorri. Sem graça, sem jeito diz que ama também. Desliga o telefone. .Vai tomar banho e fica feliz ao perceber que esqueceu – propositalmente – de contar que, hoje, ele fez uma tatuagem em homenagem ao seu amor. A tatuagem de dois corações. Então ele lembrou quando o tatuador perguntou o sentido de dois corações. Quando ele indagou que isso não seria algo comum. Fabrício disse que os dois corações significavam: “Perto é o sentimento que une dois corações nunca distantes”
Texto escrito por Luiz Carlos Filho em 01/04/12
Final de tarde. Pôr do sol em Recife. Do meu apartamento vejo o sol, o mar e sinto uma brisa que me parece enviar um abraço, um afago seu. Olho para trás. Vejo você dormindo no sofá da sala. Ao seu lado, a pipoca e a coca-cola. Apaixonado, começo a rir. Você parece um menino. Um menino que entrou na minha vida não como príncipe, mas como plebeu. Lembro muito bem do dia que nos conhecemos. Era uma quinta-feira. Lanchonete lotada. Várias pessoas esperando o seu pedido no balcão. Você estava do meu lado. Nossos pedidos foram trocados. Antes que eu começasse a reclamar com o atendente, você resolve a situação trocando as bandejas e sinalizando uma mesa vazia – coincidentemente naquele momento. Corremos para tal mesa. Parecíamos dois meninos querendo pegar seus brinquedos. A fome era tamanha. Comemos, mastigamos e lembramos, enfim, de nos apresentar. De repente, aquela pergunta fatídica e que todos fazem. “Você tem namorado?”. E eu no auge do meu saber, do meu controle digo que estou solteiro. Não busco modelos, galãs, o perfil da mídia. Digo que prefiro namorar um plebeu e descobrir no silêncio do dia a dia o príncipe que se esconde ali. O príncipe que só eu vejo, porque vejo na verdade da rotina, da solidão, da dor e, também, na verdade de uma alegria íntima e partilhada com o outro. Você diz que não tem posses, que é um plebeu e pretende se “candidatar a vaga do meu coração”. Eu começo a rir e descarrego um discurso de defesas, de escudos porque, afinal, acabamos de nos conhecer… bla, bla, bla. E termino dizendo: “é sempre assim, quem eu quero não me quer, e quem me quer eu não quero”… Até que mordo o sanduíche. Minha boca fica suja de molho do lado esquerdo. O sanduíche é grande. Fico sujo e rindo. Você, como quem tem uma intimidade de anos a fio, leva o seu dedo até minha boca. Limpa-me e diz: “Você diz que quem você quer, não te quer, porque almejar o difícil é sua segurança para não mudar, para não se arriscar. Estamos conversando aqui há um bom tempo. Risos. Olhares. Coincidências trocadas. Não sei se daremos certo. Mas o plebeu aqui gostaria de tentar tocar o coração desse príncipe a minha frente.” Sem graça. Congelado fico. Hoje, 1 ano depois. Vejo você no sofá da minha casa. E descubro a verdade de que naquele dia você me salvou de mim mesmo, quando viu em mim um príncipe de ferro que eu não aceitava. E eu? Sou mais feliz hoje por ter em meus braços um príncipe-plebeu que me faz sorrir até hoje com o lado esquerdo dos lábios melados de saudades do nosso primeiro encontro.
Texto escrito por Luiz Carlos Filho em 23/03/12.
Domingo. Dia meio nublado. Porém, não havia chuva. Fui passear no parque, como de costume, com meu cachorro. Andava. Sério. Calado. Sentindo um pouco a brisa tocar meu rosto. Uma alegria visitava-me. Mas logo minhas preocupações surgiam como verdadeira anfitriã de minha mente, expulsando para longe todo o contentamento. Sentei no banco. E fiquei a observar as pessoas ao redor. Casais abraços, sentados na grama, como num filme de Love story. Crianças correndo, brincando. Pai abraçando filho. Mãe acalentando bebê. Parecia estar num comercial de margarina ou de leite longa vida. Mas longa era minha tristeza, solidão ou desânimo, sei lá o quê. De repente, uma cena me desperta. Olhei para você. De longe. Mas vi tanta coisa. Você estava com a roupa um pouco molhada. O que me intrigou, pois não havia praia ou rio por perto. Você estava sentado naqueles balanços de criança do parque. Seus cabelos meio molhados, cacheados; a barba por fazer; uma camiseta branca; uma bermuda azul; descalço. Descalço da dureza da vida. Descalço das preocupações cotidianas. Você me atraía por transmitir tanta espontaneidade, sinceridade e simplicidade naquele jeito de ser. E o seu sorriso? Largo, efusivo, radiante. Envolvia qualquer um com tamanha alegria. Foi aí que entendi que o fato de você estar num brinquedo de criança revelava nada mais do que seu espírito leve e solto de ser. Um homem com jeito de menino. Não seria esse o segredo da maturidade? Não sei bem ao certo, mas foi esse o segredo do seu encanto ter me tocado. De repente, meu cachorro vê algo e sai correndo. Como estava atento a você. Fácil o cachorro escapou. Fácil vi o cachorro correndo pelo parque. Difícil era sair daquela situação que para mim era vergonhosa: correr atrás de um cachorro em pleno parque por um descuido meu. O cachorro vai até você e suas amigas. Você se abaixa. Brinca com o cachorro. Sorri. Suas amigas apontam para mim. Começa a chover. E dentro de mim também começa a chover de medo, vergonha ou timidez, pois percebo que vocês vêm em minha direção. Pego o cachorro. Agradeço pelo cuidado. Você dá um sorriso que mescla encanto, leveza, traquinagem, sedução. Balança a cabeça mexendo e enxugando os cabelos cacheados. Suas amigas correm na frente e adentram ao restaurante. Há um desejo de proteger-se da chuva e de comer ao mesmo tempo. Afinal, já era hora do almoço. Você se vira e diz: vamos almoçar? E sorri. Um sorriso largo, cheio de vida, de força, de alegria, de convite. Eu? Fico encantado e me perguntando ao ver você andando a minha frente: Como um sorriso pode esconder tanta força? Pode desmoronar com sua espontaneidade e leveza os castelos da minha razão e do meu saber? Pode. Pois nesse sorriso encerrava-se a doce presença de ser você: um menino-homem que chegou para dizer que a vida pode ser leve como um almoço em dia de chuva.
Escrito por Luiz Carlos Filho
Primeiro dia do ano. Há muita gente na praia ainda. É bem verdade que há mais gente deitada, no estágio quase letárgico devido ao alto teor etílico do que pessoas em pé. Estou sentado. Há algumas pessoas sentadas como eu. No entanto, parece-me que elas não estão tão sozinhas assim. São 5 horas da manhã, o sol já desponta com seu brilho, sua força, sua luz. Luz que reacende as esperanças de um primeiro dia do ano. O vento beija minha face. O cheiro do mar visita-me delicadamente. E começo a pensar sobre o ano novo. De repente, pego-me fazendo aqueles planejamento que todos fazemos nos primeiros dias do ano: “esse ano farei isso, e isso… não farei isso, nem aquilo…”. É bom planejar, mas confesso que é melhor ainda ter um porquê planejar. Durante o ano que passou você foi o motivo do meu planejar. Nesse exato momento, lembrei quando estávamos tomando café naquele bar. Você disse que me amava tanto e, por isso, eu sempre teria um lugar no seu coração. Hoje, sozinho nessa praia, sem você do meu lado eu me pergunto: Cadê esse bendito lugar no coração? Fui despejado? Não paguei as contas? Começo a rir de mim mesmo. Como fui tolo ao esperar aquilo que não pode ser esperado. E de quem não deveria esperar tanto. Descubro, hoje, que a verdade dessa sentença é: eu tinha espaço no seu coração, mas você tinha coração em meu espaço. Sim, ter espaço no coração me remete a acessar algo só enquanto sentimentos, afetividades. Já ter coração no espaço é bem diferente. E isso eu dei a você. Dei coração no meu espaço, pois em tudo o que fazia ou vivia tinha um pouco de você. Pois em tudo coloquei meu coração, meu amor. Sendo assim, em todo espaço havia você. Levanto-me. Sacudo a areia da praia. Para onde vou? Vou começar o ano limpando os espaços do coração e da vida, pois esse ano quero ter espaço para o novo: ser feliz comigo e do meu jeito.
Texto escrito por Luiz Carlos Filho.
Você tem medo de quê?
……………………
Você tem medo de amar? Que bonitinho!!!
Não. Não tenho medo de amar. Tenho medo de ser feliz.
Por quê? Eu estou aqui contigo! Estou do seu lado. Você não é feliz comigo?
Sou, mas tenho medo. Ensinaram-me que a felicidade é para poucos. Disseram que a felicidade não é para mim.
Quem disse isso?
Todo mundo.
Pois acredite, eu farei você feliz!
E por que devo acreditar em uma única voz quando muitas já me disseram o contrário?
Porque hoje quem te fala é a voz que te ama. A voz de quem sabe que ser feliz é escolher o melhor lado: o lado de estar do seu contigo mesmo que você não acredite que isso é o melhor para nós!
Texto escrito por Luiz Carlos Filho em 23/12/11
Querido diário,
Droga! Prometi para mim mesmo que nunca escreveria em um diário. Ou nunca escreveria “querido diário”. Tudo bem, eu também prometi para mim mesmo que não te amaria. E fui pego de surpresa pelo destino quando te vi. Acho tão infantil, imaturo, tolo fazer diário. Mas, é assim mesmo, já dizia algum poeta, amar nos faz infantil porque nos devolve a inocência perdida da infância. Sendo assim, voltando ao diário, escrevo porque você não está ao meu lado. Está ausência invade o meu quarto e me faz mais fraco a cada dia. Então, esse relato é uma forma de diminuir a distância que nos separa. Escrever é como uma ponte que me leva até você. Sei que o natal se aproxima. Não sei se você estará ao meu lado nessa noite mágica. Por isso, quero aproveitar o momento e expressar o que sinto por ti. É interessante perceber que seu amor me faz sentir-me em casa. Sim, porque esse amor tem cheiro de café da manhã, tem gosto de pão assado… enfim, tem sensações de simplicidade. Simplicidade aconchegante como casa de pai, como colo de mãe. Lembro-me do primeiro dia que te conheci. É… gosto de lembrar-me disso. Afinal, as lembranças acendem o sentido daquilo que nunca deve deixar-se esquecer. Eu estava escrevendo um texto e você, como membro do grupo, ousou me corrigir. Sim, ousou me corrigir. Na hora fiquei com raiva. Pensei: “que audácia”. Era muito orgulho para pouco corpo. (Risos tímidos). Hoje, percebo como você me ensinou a ser uma pessoa melhor por aceitar meus erros. Fico pensando quando foi o primeiro dia que te amei. Entretanto, não acho resposta. Porque o nosso amor foi construído no silêncio do cotidiano. Por isso, hoje, posso dizer: eu te amo pelo que você é. Não pela sua beleza ou pelos seus bens. Ouso dizer, ainda, que te amo pelo que você é longe de mim. Sim, porque seria fácil te amar pelo que você é estando comigo. Porque seria como amar um reflexo. Mas te amo porque longe de mim você é livre para ser você mesmo. Sendo assim, eu posso olhar e perceber porque te escolhi. Te escolhi porque você é diferente de mim. Porque você é melhor do que eu. Não! Isso seria egoísmo da minha parte. Te escolhi porque como num quebra-cabeça, você é a peça que se encaixa em minha história de dor, de solidão, de vazios. Agora, contemplo que no meu coração ainda há uma falta. Mas não quero essa falta preenchida. Pois é a falta do amor-perfeito. Amor que idealizei tantas vezes. Porém, você insiste com seu jeito manso de me ensinar que amor perfeito é uma flor. Enquanto, você é uma realidade para mim. Realidade que parece uma flor, pela beleza e delicadeza, mas que também é firmeza ao encerrar-me no teu peito e dizer-me: “estou aqui! Te amo. Vai dar tudo certo!”
Com amor e saudade,
A outra peça do quebra-cabeça de nossa história!
Estou no meio do campus da universidade. Acabei de sair de uma aula chata de semiótica. São 10h45. Não consigo mais assistir aulas. O dia está lindo. Sol. Céu azul. Sento na árvore mais próxima – e a única vazia que encontro. Pego minha agenda para escrever algo e, de repente, abro na página em que escrevi: “Há um ano atrás você me tirava de minha vida pacata, para trazer-me a sua vida. Ou melhor, como um mago poderoso você acordou-me de um grande torpor…”. Começo a sorrir e lembro exatamente do nosso primeiro encontro. Eu fazendo as matrículas dos calouros. Você chegando no final do corredor. Apesar de muita gente ao meu redor, mas logo percebi você. Essa sua roupa “descolada”, mas ao mesmo tempo “certinha”. Esse seu óculos, com cabelos cacheados e uma barba por fazer revelavam a perfeita combinação de beleza e inteligência jamais vista pelos meus olhos. Você se aproxima. Educado. Simpático. Cordial. Um pouco atrapalhado ao deixar cadernos cair. E, sem falar, na confusão com o fone de ouvido. Pergunto qual música você está ouvindo. E você diz: “Não sei a música, só sei que a música que lembra meu amor”. Em silêncio fiquei. Engoli seco. Achei aquilo lindo. Então, como num misto de insanidade e normalidade ousei perguntar: “Então, você está namorando?” E você, rindo, falando por cima dos óculos e mordendo uma maçã diz: “Amo uma pessoa e vivemos um momento muito lindo”! Aquilo parecia frase feita, frase de desenho animado ou de filme de sessão da tarde. Mas suas palavras passavam uma verdade, uma força. Naquele instante, tive a certeza de que você era especial, único. Você não entrou na minha vida por acaso. Hoje, um ano depois, olho nossa foto no celular. Juntos e digo: obrigado porque você me mostrou que a música que você ouvia naquele dia era a música do meu coração. Música que foi sinfonia para beijos, para abraços, para brigas. Música que eu insisto em tocar a cada dia que te vejo. Pelo simples desejo de te dizer todos os dias: “obrigado porque seu amor tem cheiro doce, sabor gostoso e uma força indefinida mas que encerra todas as minhas dúvidas” Ah, e hoje, eu sou o amor por quem ele ouviu aquela música!
Manhã. Sol. Andando. Eu. O cachorro. Voltando da padaria me direciono para casa. Vejo pessoas fazendo caminhada. Pessoas que fazem isso toda manhã. Pessoas que vejo sempre. Vejo? Bem, acredito que sim. Mas, hoje, eu as vejo com um olhar diferente. Elas estão mais belas. Mais alegres. Porque, hoje, vejo a beleza da vida que acontece em mim. Só pelo simples fato de ter encontrado você. Como sou bobo! (Risos tímidos.) Então, penso que quando estamos apaixonados queremos tudo muito, tudo grande. Queremos o céu, a lua, as estrelas para presentear a pessoa amada. E a pessoa amada nos conquista, justamente, porque ela nos presenteia com a beleza do cotidiano. Isso mesmo! Você me conquistou quando deixou um recado no computador: “já comprei a comida do cachorro”. Quando você deixou um copo de leite quente ao meu lado enquanto trabalhava horas a fio na tese de mestrado. Você me ganhou quando sorrio num ângulo em que eu fui mais feliz do que Michelangelo ao contemplar a sua beleza. Sento na calçada ao deparar-me com uma margarida. Volto à infância, quando começo a tirar as pétalas da flor e pensar em voz alta: “bem-me-quer, mal-me-quer, bem-me-quer…”. Paro e começo a sorrir. Pois descubro nesse emaranhado de pensamentos e emoções que você me quer bem. Muito bem! Levanto-me. Chego a casa e você ainda está na cama. Acordado, mas desenhando. Disse que queria me fazer uma surpresa. Queria dar-me uma flor hoje de manhã. Contudo, como não saiu de casa, resolveu desenhar. Então, lembrei da margarida e do jogo do “bem-me-quer”. Você virou o desenho para mim e mostrou algo simples e belo. Como um adulto incentivando seu pequeno Picasso, indaguei: “Lindo! Que flor é essa?” E você respondeu: “Essa é a flor que retrata a delicadeza da nossa relação. O nome talvez assuste. Mas a verdade que ela encerra é o que há gravado no mais profundo do meu coração”. Curioso, perguntei: “Qual o nome da flor?” E você, se levanta. Abraça-me. Dá-me um beijo de bom dia e diz: “Amor-perfeito”.
Texto escrito por Luiz Carlos Filho em 04/12/11 ouvindo “A Thousand years” - Christina Perri
Ele 1 – Ei, vamos brincar?
Ele 2 – Não. Não falo com estranhos!
Ele 1 – Ué! Mas já nos conhecemos. Até somos amigos.
Ele 2 – Éramos!
Ele 1 – O que houve?
Ele 2 – Você mudou-se para terras distantes…
Ele 1 – Mas eu estou aqui!
Ele 2 – Agora há muitas coisas entre nós.
Ele 1 – Ele sai triste e solitário. Tentando entender o que houve. Sem disser mais nada.
Legenda:
Ele 1 = o Amor
Ele 2 = o Tempo
Terras distantes = a indiferença
Muitas coisas = desconfiança, mentira, eu, você etc.
Texto escrito por Luiz Carlos Filho
Ontem te vi passar pela rua. Deu vontade de gritar teu nome! Deu vontade de saltar em teus braços. Deu vontade de dizer que ainda te amo, que ainda sinto sua falta. Deu vontade de fazer muitos movimentos… mas o único movimento foi morder os lábios, chorar e seguir com o carro. É interessante perceber que quando achamos que estamos bem, vem a vida e, CATIBUM, nos prega uma peça. Confesso que estava muito bem sem você, sem te ver, sem lembrar (ao menos tentando lembrar menos!). Acredito que chorei mais ao perceber que as juras de amor foram em vão. E lembrei-me das aulas de literatura onde tal autor dizia: “O todo sem a parte não é todo, A parte sem o todo não é parte, Mas se a parte o faz todo, sendo parte, Não se diga, que é parte, sendo todo” Nunca tinha entendido esses versos. Mas assumo que eles sempre me chamaram atenção. Ouso dizer que eles me incomodavam. Agora, sem você, que já foi minha parte e meu todo, entendo perfeitamente. O que vivemos foi parte de um amor e foi todo amor para mim. Para você? Não sei se foi! Talvez por isso doa ainda em mim. Recordo-me dos quebra-cabeças que montei. Sempre procurando com ansiedade a pedra ideal, o encaixe perfeito. Errei ao levar esse modelo para minha vida. Pois na vida, as partes que formam o todo não são perfeitas. Mas são belas justamente por dar ao “todo” essa beleza ímpar e diferente de ser mistura, de ser imperfeita. Lembrei-me da minha infância quando minha mãe um dia perguntou o que eu mais queria na vida e eu respondi: “ser feliz!”. Ela assustou-se com tamanha precisão e resposta. Hoje, vejo que fui feliz por completo ao seu lado. Nossa história não foi parte, mas foi “todo”. Sou assim mesmo, intenso em tudo o que vivo e acabo colecionando partes de mim nos corações que amei porque só sei amar o todo da relação.
Texto escrito por Luiz Carlos Filho em 10/11/11